Carla Patrícia Bezerra - Nascida no dia 22/10/1981, na cidade de Recife, capital do estado de Pernambuco no nordeste brasileiro. O dom de escrever descobri ainda quando estava sendo alfabetizada, aos 8 anos de idade e desde então me dedico a escrever textos poéticos. A minha base para escrever são os diversos sentimentos, os seres, as circunstâncias da vida.

Sigo um estilo romântico realista, sempre enquadrando os sentimentos a razão e mistificando os fatos. Desejo poder fortalecer minhas técnicas e expandir minhas emoções e valores, além de contribuir com a arte poética. Escrever para mim é simplesmente viver e trabalhar as palavras em busca de dar significados e vivacidade aos sentimentos.

ADORO-TE

Agora...
No limite das horas...
O último instante...
Preciso dizer-te...

Por um momento,
Calam-se minhas palavras,
Vêm às lembranças,
E a veemência do teu olhar,
Declama o valor das meninas dos teus olhos,
Fazendo-me admira-lo.

Agora...
No limite das horas...
O último instante...
Preciso dizer-te...

Quero-te bem,
Sereno e zen,
Menino andante,
Sentinela dos teus desejos,
Intenso na busca do teu equilíbrio,
Tua paz,
Pescador da benevolência congênita.

Agora...
No limite das horas...
O último instante...
Preciso dizer-te...

Sou amiga,
Mulher de um coração sem feridas,
O devaneio que almejares,
A feliz vivente tracejando sabedoria e fé,
Ansiando a grandeza do amor em sua plenitude.

Agora...
No limite das horas...
O último instante...
Preciso dizer-te...

Falo-te no imaginário fim dos tempos,
E falo-te na legitimidade do presente momento,
Teu sorriso...
O fascínio do teu semblante,
Tuas mãos...
Tua voz...
Teus sentimentos em extensão eloqüente...
Adoro-te!

Carla P. Bezerra



FEZ DAS TRIPAS, CORAÇÃO

Meteu um bisturi no peito,
Tirou dele o maior segredo,
E deu a quem tanto amou.

Cortou um dedo na intenção,
De nunca mais jurar sem razão,
Para não se tornar um estupor.

Arrancou os olhos para não enxergar,
As beldades alheias que pairavam no ar,
No desejo de ser cobiçadas.

Cremou os pensamentos vagos,
Para não voltar ao passado,
Em busca do que ficou por lá.

Cansado de gritar “Eu te amo”,
Rasgou uma veia e com o conteúdo dela,
Chorou lágrimas de donzela.

Ao fim, velou a sua consciência,
Quando lhe foi apresentada à essência,
Por ter feito das tripas, o coração.

Carla P. Bezerra



UM MISTO DE SENTIMENTOS

O choro contenta,
A saudade lamenta,
O sorriso incrementa,
E a vida se apresenta estimulante.

O tempo reverte,
A mocidade prevalece,
A chama da paixão aquece,
E a vida se envaidece.

A parede é de vidro,
O chão de argila,
A dor não mutila,
E a vida faz vigília aos seres.

Acreditar convence,
Assumir enobrece,
Querer apetece,
E a vida deposita emoção ao sonhar.

O sentimento abrilhanta,
O desejo revoluciona,
O toque apaixona,
E a vida diz aos credores como agir.

A busca é pioneira,
A causa é verdadeira,
Amar vale a paz genuína,
E a vida continua tracejada por cada um.

Carla P. Bezerra



TIMIDEZ

Timidez donzela,
Acelera passos de menina,
Timidez mulher,
Inibe-a por mais que ela tenha por si estima.

Timidez nos olhos,
Num instante de fascínio,
Timidez em olhares,
E na junção esse encontro é divino.

Timidez presente,
E os sentimentos dão certeza de existirem,
Timidez ausente,
Corpos se escalam e dois seres não se distinguem.

Timidez que sorrir,
Revela inocência, desejo, sedução,
Timidez que chora,
Abre um horizonte, caminho do coração.

Timidez poente,
E os astros explicitam sua dimensão,
Timidez natural,
Que dita regras e nos dar direção.

Timidez consola,
Timidez rejeita,
É a força espiritual de cada ser,
Cada ato que se eleja.

Timidez no antes,
No agora, em algum momento,
Timidez é sensibilidade,
Que às vezes retarda e resguarda talento.

Carla P. Bezerra



ALUCINO

Loucamente, vivendo com distonia,
Vaidade, folia, carência e prazer,
Horas que vagam em busca de um segundo constante,
De desejos veementes e deleites por viver.

Alucino que afaga a cabeleira vasta,
Revitaliza a voz que o ego amacia,
Na mente coragem, na pele gotas de suor,
O ato acontece e aquece com ardência a noite fria.

Sentimentos, sensações, motivos e decisões,
Vidas com fidúcia e impulsão se abraçam,
Quando numa matinê suave ou mesmo em tempestade,
Carne e espírito se enlaçam.

Alucino que desajuíza o ar que respira e a terra que se pisa,
Balanços d’águas a gemer por toda imensidão do mar,
Está na natureza o fascínio, em sua expressão de beleza,
A força divina que aos seres domina na certeza de amar.

Carla P. Bezerra



DAS CHAMAS, BRASAS

Ao nascer do sol,
Um sentimento contagiante,
Acredita-se na luz,
Como fazedor de cada instante.

E quando a noite deslumbra,
A moça que passa no cais reluzente,
Com sua pele brilhante,
Muitos são os olhos da escuridão,
Que se ascendem com excitação voraz.

E ao grito de zumbis enternecidos,
O eu fica foragido,
Enquanto o nós cai em sussurros,
Numa rede de palha,
Que suporta além dos ventos,
A doce batalha do próprio nós amante.

Quantas, tantas vezes,
O sonho fez andar a carruagem,
E os sapos não se tornaram homens,
Mas se tornaram reis.

Ao começo dessa simples poesia,
O instante foi criado pelo que se chama de guia,
A luz,
E são por esses instantes preciosos,
Que as chamas se apagam,
Transmitindo as brasas ascensão.

Talvez não seja possível ouvir,
O calor, a energia tende diminuir,
E o encanto das cores não será tão visível,
Mas permanecerá dentro de uma atmosfera,
Que só depende de cada um cultiva-la.

Então quando as chamas se apagarem,
Não deve haver desespero,
Brasas restarão,
Oh Deus obrigada,
Porque brasas restarão.

Carla P. Bezerra



A UM PASSO DA FELICIDADE

A um passo da felicidade,
O desejo é ansioso,
E o ato não realiza,
A prontidão pelo prazer.

A um passo da felicidade,
A lágrima não lubrifica os olhos,
A paixão não intensifica o corpo,
Que padece de frustração.

A um passo da felicidade,
O sonho é um marasmo de horas,
E indignos pensamentos,
Quebram uma taça de cristal.

A um passo da felicidade,
O ser estimula a criação de pegadas,
Temendo não se perder,
E o amor pioneiro madorna o seu querer.

Feliz é estar, querer e poder,
No presente ser e enaltecer a existência,
Para sempre permanecer,
E não, se encontrar a um passo da felicidade.

Carla P. Bezerra



LOUCA PELA VIDA

A vida é minha sagacidade,
Agonia, desespero,
De quem rebenta seu desejo,
E grita latente para alma calada.

Louca e desvairada,
Sinônimos de insanidade,
Digo sem maldade,
Essa alucinação é vigorante.

Na demência de um doido querer,
Numa forte convicção enlouquecida,
Eu labuto na minha jornada,
Para sobreviver feliz.

Senhora dos descalços pés,
Que certo dia despiu sua própria vergonha,
E lhe proporcionou alegria,
No momento frenético de puro esmero pela vida.

Carla P. Bezerra



O ZELO POR UM SONHO

O beijo que afaga o rosto,
A lembrança que atrai uma disparada de passos,
O sorriso que acaricia o peito,
Aguçado de sentimentos vivos,
São traços do zelo por um sonho.

O querer que emaranha os cabelos,
A feminilidade que sensibiliza o eu,
A esperança que procura uma matinê de amor,
O corpo detalhado por formas sensuais,
São traços do zelo por um sonho.

O poder da mente que aparenta casual,
O valor de um parecer que se indagou,
Num instante maternal,
A sacudida do quadril quando artes,
Unem-se e defendem o momento de espiritualidade e visual,
São traços do zelo por um sonho.

Lágrimas inocentes e sem dor,
Lubrificam os olhos que visam felicidade constante,
Braços que se doam e se apertam,
Acelerando o tesão entre amantes,
Desejos que fervem o sangue,
Quando colocados em redomas de reservas,
São traços do zelo por um sonho.

O dia amanhece,
E o bom da noite prevalece,
Na mente de quem ama,
E o dia permanece para os que amam,
Iluminando o zelo por um sonho verdadeiro.

Carla P. Bezerra



PAIXÃO

Deusa do desejo,
Que envolve os segredos,
A sede de saciar-se,
Mulher ou homem carente,
Elos de passado e presente,
Que simplesmente atraem-se.

Apaixonar-se é virá ao avesso,
E estipular que as inquietudes do corpo,
Sejam saciadas,
É flutuar num espaço vazio,
Resgatando o brio que se achava perdido.

A paixão revela o homem no menino,
Provando que por força de conseqüências ou destino,
A vida toca o sino,
Para que os passos sejam revezados.

Imã de virtudes e vivacidade,
Quem apaixonasse sente a veracidade,
Do amor gritante em seu ego,
E na euforia do gozo em horas crescentes,
Mãos afagam o corpo e a satisfação predomina em almas tementes.

Carla P. Bezerra



SENTIMENTOS

Sorridente sentimento,
Corria por nuvens,
E alegrava o momento.

Angustiante sentimento,
Matava idéias,
E chorava com lamento.

Ilusório sentimento,
Feria a consciência,
E revelava sofrimento.

Emocionado sentimento,
Arrepiava a espinha,
E espalhava-se pelo vento.

Carente sentimento,
Tão doce era ingênuo,
E lento.

Rebuscado sentimento,
Gritava loucamente,
E confundia extremidade com centro.

Elegante sentimento,
Era paisagem envolvida com talento.

Verdadeiro sentimento,
Sempre surgindo naturalmente,
Visando o amor,
Sua fiel atalaia.

Carla P. Bezerra



UMA VOZ LATENTE

Ah... Força do espírito,
Quantas noites amam amantes,
E um tom extravagante revela a cobiça.

Sentimentos desvairados,
Serpenteiam em corpos escalados,
Pela vaidade do desejo interior.

O olho chora a resposta que diz não,
As mãos falam com o toque para solidão,
Matinês insanas demonstram com a voz latente,
As vontades do coração.

Escuta-se no suspiro,
A certeza de um gemido,
Enquanto almas se abraçam no escuro.

No balanço de suas águas,
O mar se espalha e canta,
A melodia dos casais.

Vibra no peito,
A realização de uma estação,
É o grito que se desprende da razão,
E impera em voz latente.

Carla P. Bezerra



NÓS DOIS

Você! Tua bondade, tua estima,
Teu amor que tanto me anima,
Hoje resulta em bons pensamentos.

Sentimentos agora são acordados,
E os sonhos desvendam num estalado,
Nossos desejos a se realizar.

Querer-te sutilmente me revela,
A esperança por ser sentinela,
Do amor em minha vida.

E o teu sorriso me fascina,
Restaura-me e ilumina,
Os caminhos que estou a trilhar.

Nossas almas se encontram,
As palavras ditas naturalmente contam,
As histórias de nossas vidas.

Eu e você, num ritual de harmonia,
Serenando uma parceria,
Que Deus abençoa de forma singular.

Amar-te não é pra mim um desafio,
Instiga-me a labutar sem desaguar pelo rio,
Das tristes desilusões.

Pois há uma verdade,
Somos um do outro a metade,
E buscamos amar sem limites.

Quero sim agora,
Em qualquer hora,
Estar presente em espírito.

Superarei a saudade,
Os sentidos da matéria e as vaidades,
Porque eu te amo meu bem querer.

Carla P. Bezerra



A METAMORFOSE DE UM DIA

Hoje é reflexo,
Do ontem desanimado,
De uma emoção,
De um pecado,
De um dia de domingo ressacado,
Quando se embriagou de vinho.

Hoje a maré é baixa,
A lua que vadiou ontem,
Acorda exausta,
E o vento quase desprende do corpo,
A cabeleira vasta.

Hoje o sonho é história de Troncoso,
Viver a realidade,
É saborear um prato mais gostoso,
Do que viver de ilusão.

Hoje a nudez é permitida,
A alma está cansada de andar vestida,
Hoje é preciso arejar,
As partes íntimas da vida.

Hoje o meu é seu,
E o seu é de alguém,
Coração agasalhado só faz bem.

Hoje quem desce do palco,
Dança na poeira,
Sacode as tetas arrochadas,
E envolve a traseira,
Numa mistura de loucura,
De paixão mais verdadeira.

Hoje a noite,
É o argumento para um beijo,
A tara que hipnotiza os olhos,
Não faz segredo,
Quando a ocasião se associa aos desejos.

Hoje o elevador sobe mais um andar,
O tempo não estaciona para ninguém pensar,
Feliz aquele,
Que não deixa de amar.

Carla P. Bezerra



AMAR-TE

Amar-te é revelar importante,
Os sentidos da vida,
Menos perceptíveis e desejados,
É como se o colorido surpreendesse,
A cada pintura de tela.

Amar-te é viver um sentimento,
Passado-presente ditando meus passos,
É atualizar cada lembrança,
Para enobrecer a minha alma.

Amar-te fere minha pele,
Declarando o quanto é belo,
O plasma deslizando sobre a derme,
É a sensação mais inusitada,
Que rasga minhas vestes,
E me deixa sem vergonha.

Amar-te é desafiar no escuro,
Meus próprios movimentos,
Em busca de uma direção,
Ao menos digna,
É lagrimejar meus olhos,
E cortar minha voz,
Ao querer e falar de ti.

Amar-te varia meu humor,
E macula meu semblante,
Associando minhas forças,
Ao fino desejo por teu corpo e teus pensamentos,
É assim como um pescador,
Dedicar-me as ondas do mar,
Que acalanta o coração.

Amar-te anjo entre nuvens,
É dançar ao som dos ventos fortes,
Beijando-te e acariciando-te,
É degustar o mel que produzes,
Deixando-te envaidecido,
Com meu amor.

Amar-te paixão que me aquece,
Galanteia meu brio,
Inocentando minhas falhas.

Carla P. Bezerra



CAMINHOS

As retas são curtas,
Quando o medo abala a convicção,
As curvas tantas vezes,
Iludem caminhos do coração.

Vielas arredias,
Onde tateiam temerosos amantes,
Vadeiam entre as paredes,
Dos becos vigilantes.

Subidas, decidas,
De morros serventes,
Onde bailam penitentes,
Ao gozar o remelexo de suas ancas.

Certo, errado,
De paz e de guerra,
Caminhos almejados,
Onde a vida sempre espera.

No asfalto o lamento,
De quem não pode andar descalço,
No lamaçal por um momento,
O sonhador encontra um laço.

Andantes de toda parte,
Ao velar ou festejar,
Terra que se entrelaçam,
Desejos de caminhar.

Caminhos não são setas,
Mas busca e procura de missões,
Caminhos não são tabus,
São expansões de sentimentos e visões.

Carla P. Bezerra



O QUERER INSATISFEITO

O louco quis ser por instante,
Ser vigilante e racional a princípios,
O sujo quis tomar uma ducha,
E aguçar a brancura,
Tirando do corpo, os vícios.

O demente quis indagar,
Que para conquistar é preciso luta,
O monótono quis mudar,
A razão de um olhar,
Buscando uma nova conduta.

O infiel quebrou a corrente,
Satirizada por um véu,
O subordinador tanto fez,
Que quis sentir temor,
Ao falta-lhe um pedaço do céu.

O insatisfeito,
Estará todo ele sujeito as durezas,
Verdades alheias ao tempo,
Que declara no passado ou dias viventes,
Causas e conseqüências das imaginárias certezas.

Carla P. Bezerra



O SORRISO

Quem ama sorri,
Quem lamentou um dia,
Hoje também sorri,
O sorriso é a virtude dos seres,
De labutar, persistir e conseguir.

Quem chora sorri,
Quem se desesperou um dia,
Hoje também sorri,
O sorriso é a aclamação da felicidade,
Com sentido discreto ou extravagante de existir.

Quem se apaixona sorri,
Quem sofreu a ausência,
Hoje também sorri,
O sorriso venera a alma,
Sem os desejos da carne, inibir.

Quem maturou sua existência sorri,
Quem chegou ao poço um dia,
Hoje também sorri,
O sorriso trata o sentimento e a razão,
E o ser navega em mares ainda por descobrir.

Quem sente prazer sorri,
Quem triste ficou e um dia chorou,
Hoje também sorri,
O sorriso assim como as lágrimas,
Lubrificam o coração e vingam para reconstruir.

Carla P. Bezerra



PRESENÇA DA ALMA

Do corpo é retirado o tormento,
Por ser humanos a galgar montanhas com sua tara,
Uma vez na vida, ao menos por um momento,
O silêncio íntegro revigora a alma clara.

Quando a vigília pelo prouver é sucumbida,
Caem tementes ao chão de esperança,
E a carne que sente no gozo arder como ferida,
Faz com a alma uma esplêndida aliança.

No céu estrelas brilhantes se aglomeram,
E um fino trato por amor se estabelece,
Na plenitude de uma serena noite se esmeram,
Amantes na presença da alma que se envaidece.

Sentimentos cortantes como lâminas afiadas,
São aviltados até desabarem no desengano,
Então surgem suntuosas conquistas almejadas,
Assim a alma transforma em são o insano.

Carla P. Bezerra



DESATANDO...

Desatam-se as pernas,
E o homem trabalha,
O atleta se esvaia,
De tanto correr,
A dama colorida,
Que se exalta na noite,
Baila com seu salto alto,
Até o corpo adormecer.

Desatam-se as mãos,
E o pintor não fraqueja,
O escritor só almeja,
Uma linha escrita com amor,
A moreninha faceira,
Toca um acorde para um amigo,
Puro sentimentalismo,
Coisa do seu interior.

Desatam-se os braços,
José se rende a Maria,
Tereza companheira de Sofia,
Não se cansa de abraçá-la,
No pulso firme,
O relógio marca as horas,
Uma bela jóia reluz seu brilho,
No saciar de um olhar.

Desatam-se os cabelos,
E o vento carrega os pensamentos,
Cachos soltos por momentos,
Difíceis de esquecer,
São lisos, encaracolados,
Curtos, compridos, devastados,
De cores múltiplas, sedutoras,
Contornando o semblante,
Embelezando o viver.

Desata-se o cordão umbilical,
O choro da vida ecoa,
E a mãe não enjoa,
De ouvir seu filho chorar,
É o primeiro passo,
Para vida que se inicia,
E que sem avalia,
Deus a cada um doou.

Desatam-se os pés,
A meninada corre na praia,
Samba a mulata na gandaia,
E o sapato aperta os dedos,
Pé de moleque,
Pé de arruda e de alecrim,
Cheirosos como jasmins,
Engatando em segredo.

Desatam-se os nós,
E o coração só festeja,
A vida de quem não peleja,
E busca a felicidade com afinco,
Na batida de corações insaciáveis,
A cadência maior,
Ecoa a razão dos amantes,
Pela existência humana.

Carla P. Bezerra